domingo, 23 de fevereiro de 2014

Primeiro texto do ano

Hoje eu acordei tão aflita, precisava escrever, precisava desabafar... Mesmo que ninguém leia, mesmo que não faça diferença...
Estou cansada de acordar, checar meus e-mais, abrir o facebook, olhar o jornal, e só ver desgraça. CHEGA! Todos os dias eu me pergunto, em que mundo estamos vivendo?
É tanta notícia de suicídio por pressão, porque a pessoa se sente culpada por ser cotista, por a pessoa se sentir culpada por ser gay, por a pessoa se sentir culpada de ter vazado um vídeo de sexo na internet... Isso eu leio todos os dias, acredito ser o maior índice de suicídio no momento...
As pessoas querem fazer justiça com as próprias mãos, não é assim, nunca foi, nunca será! Existem leis para serem cumpridas, se fosse olho por olho dente por dente, deveríamos abolir a constituição então... Ninguém enxerga os dois lados, isso me deixa tão triste.. As pessoas seguem uma opinião que favoreça a ela, não pensa no outro.
Esses dias estava lendo, sobre um estupro, um cara estuprou uma menininha de cinco anos, a própria comunidade espancou tanto o homem que quase morreu, chegou no hospital muito machucado, foi levado para delegacia e voltou morto.
Não digo que o que esse homem fez está certo, muito pelo ao contrário, é uma coisa que também não deveria existir, mas dei esse exemplo porque todos ficaram felizes com a atitude da comunidade e dos policiais e eu pergunto, porque? E se esse suposto estuprador fosse seu filho? E se fosse seu marido?
E se esse homem cresceu em um ambiente onde o tio o estuprava, a mãe era alcoólatra e batia nele, se ele nunca teve o apoio do pai... Eu acho que tirar a vida de uma pessoa é uma coisa tão séria, a vida de uma pessoa é valiosa sabe? E se o estuprador fosse preso e se arrependesse? Ele teria uma chance na vida, mas nem isso deixaram ele ter.
Dei o exemplo desse caso, mas leio muitos e muitos casos como esse, fazendo justiça com as próprias mãos... Isso me deixa revoltada, porque pra isso a população quer fazer algo, então porque não fazer justiça com as próprias mãos contra o governo?
O governo que finge dar apoio as pessoas que precisam, fingem que trabalham, fingem que não roubam, fingem de tudo, fazem um grande teatro, mas os palhaços somos nós. E agora? Onde está a justiça feita por nós mesmos?
Um país que não tem governo, não tem nada.
Precisamos de mudança, uma mudança muito rápida, mas não só no governo, nas pessoas principalmente.
Outra notícia que eu li esses dias que fiquei indignada, foi um pai matar o filho de oito anos, por ele ter jeito homossexual. COMO ASSIM? É, um PAI, matou de tanto bater no filho por ele querer deixar o cabelo crescer, gostar de dança do ventre e ajudar a lavar a louça. Esse mesmo pai prestou depoimento e disse que gay se conserta na porrada.
Esse ódio contra os homossexuais me deixa tão desacreditava na humanidade.
Muitas pessoas acreditam que isso é uma doença... Doença é não respeitar a opção de cada um.
Quando eu achava que as coisas evoluiam, na verdade não evoluiram nada. O preconceito está presente todos os dias, pela maioria das pessoas.
E uma das frases que mais deixa decepcionada (que por exemplo são as dos meus pais) é, não tenho nada contra gays, mas longe de mim.. Longe de você? Ahhhh... As pessoas sempre querem as coisas longe delas.
Estou cansada dessas atitudes, queria que as pessoas tivessem mentes abertas. Aceitassem que ninguém é igual, todos tem seus defeitos e qualidades, que todos escolhem por si só o caminho que querem trilhar, e a sua parte e aceitar, apoiar, entender. Nunca se pode julgar o que acontece dentro dos outros.
Não se deve dizer que não tem preconceito, mas se estar andando de noite e atravessar a rua por um negro passar. Não se deve julgar ou menosprezar uma pessoa. Espero que essa revolta que as pessoas têm, se vire contra quem realmente merece, o governo.
Que as pessoas parem de perder tempo com coisas que não somam, com coisas que não acrescentam, o preconceito não acrescenta nada, só o diminui. Que todos nós se queremos fazer justiça com nossas próprias mãos que seja com o governo, por favor.
Enfim, era isso que precisava desabafar.
Tenham um bom dia!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Coração fanfarr

Meu coração palpita.
Bate falta.
Bate palma.
Bate corda de menina pular.
Se bate vento, sai na janela
Ê coração mais fora de lugar…
Se você pisca, ele bate lata.
Abre avenida pra esperança passar.
Seja segunda ou quarta de cinzas
Até se for dia de trabalhar
O  corpo dança, a alma samba.
Cada um em uma direção.
Se você chega e senta na mesa
Não há em toda medicina uma só explicação
Bate bolo e bate os tapetes,
se você diz que vai me visitar
Rega todas as flores, põe café na mesa
Bate ansiedade, mas tem que esperar
Cê bate na porta, coração não é mais meu
Sai de dentro de mim pra te encontrar
Sorri fácil assim, nem precisa pedir
Coração de fanfarra, só quer te ver dançar

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

José era um cara qualquer, com um nome qualquer.
Usava óculos e aparelho.
Tinha o cabelo meio que enrolado.
Não era nem alto, nem baixo.
Nem gordo, nem magro.
Tinha meias palavras e meias atitudes.
Era isso que o incomodava.
Sempre foi o meio termo.
Sempre usava a mesma camiseta vermelha,
Conversava com as mesmas pessoas,
Dos mesmos assuntos...
                                        Estava acomodado, porém infeliz...
                                       Quem nunca se sentiu assim?

terça-feira, 12 de novembro de 2013

A liberdade de sermos diferentes

Joaquim, negro sofrido,
32 anos, perdido.
Perdida a vida, perdida a esperança.
Só lhe restava lembrança,
Da família e da cobrança.

Por muito tempo questionou,
Viveu muitos anos a servir sem nunca ser servido.
Era tratado como algo jogado, sem compromisso.
O que lhe restava eram migalhas,
Mas mesmo assim,

Seu sorriso amarelo brilhava em meio a angústia,
Iluminava e o permitia sonhar que um dia seria livre.

Ahhhh liberdade, tão sonhada liberdade!
Aquela que Joaquim desejava,
De tanto acreditar tornou-se realidade.

Foi liberto, mas não livre.
Em meio à tanta mentira,
Joaquim sentiu ira,
E jurou nunca mais ser enganado,
Estava mesmo determinado.
Acreditava ser realmente livre,
Pois seu sorriso e seus sonhos,
Ninguém acorrentava mais.

Como fizeram com seus antepassados,
filhos paridos nessa terra indiferente.
Que muitas vezes não enxergaram a beleza
E a riqueza na diferença.

Ahhh diferença, tão temida diferença!
Porque ninguém gosta de ti?
A liberdade de sermos diferentes.
Porque incomoda tanta gente?

A liberdade da cor,
Da diferença e da igualdade.
Que se completam e encantam o olhar.
Assim como Joaquim, no brilho do luar...



Ana Flávia Alves Garcia

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Esperando esperar!

Faz tanto tempo que não escrevo aqui...
Falta tempo e sobram palavras...
Mas hoje, estou aqui, escrevendo de madrugada, porque não consigo me entender...
Meu coração está inquieto, indeciso, machucado...
Eu acho que nenhum ser humano deveria implorar por algum sentimento, sabe?
Não se implora por amor, não se implora por carinho, não se implora por atenção...
Sentimentos tão valiosos, às vezes, jogados no lixo.

As pessoas são hipócritas, eu me incluo nisso, porque querendo ou não esperamos algo das pessoas.
Esperamos elas sentirem o mesmo, esperamos elas darem valor...
Esse é um dos meus maiores problemas, ESPERAR.
Sempre espero das pessoas mais do que podem me dar, isso não é defeito delas, é eu sempre imaginar de um jeito e acontecer de outro.
É criar expectativas, é esperar que as pessoas vão fazer o mesmo que você faz por elas.
Comigo isso acontece praticamente em todos os meus relacionamentos.
Sempre espero um sorriso a mais, um carinho inesperado, uma mensagem dizendo estar com saudades...
Um presente fora de época, uma carta, algo que demonstre, poxa, pensei em ti...
Pode não parecer, mas me esforço para dar meu melhor, meu melhor nas amizades, no namoro, na família...
E sinto não ser retribuída do jeito que esperava...
Estou cansada de correr atrás das pessoas, de dizer primeiro "eu te amo", dizer o primeiro "estou com saudades" ou então "vamos sair"...
Sentimentos pra mim são como flores, se não houver tempo bom, elas murcham... Se não houver reciprocidade nos sentimentos, eles diminuem...
Chega uma hora que se deve dar um basta.
Não aquele tipo de birrinha "não vou mais correr atrás de você e blablabla", chega uma hora que a gente vai se afastando de verdade, pra ver quem realmente sente sua falta, quem realmente se importa.
E isso dói. Dói muito.
Hoje tive uma aula muito interessante de filosofia, sei que não é muito o tema aqui, mas me ajudou a refletir bastante... Estamos estudando Nietzsche, As três metamorfoses e os três devires do pensamento...
Ele usa o exemplo do Camelo, que representa o peso, que suporta muito, que se não houver questionamento ele passa a vida toda carregando peso.
O Camelo não quer decepcionar. Sempre faz o que mandam, sempre faz o seu dever.
A segunda metamorfose ele usa o exemplo do Leão que aparece para tomar providências, de tanto ter feito o meu dever, esqueci o que eu quero. O que eu quero?

O leão vem para decepcionar, frustrar, por isso a força, o rangido, porque quer deixar de carregar peso, deixar de carregar o que não é seu.
Achei isso incrível e associei ao meu dia-a-dia.
Estou cansada de ser camelo, estou cansada de me responsabilizar por algo que não preciso. Estou cansada de suportar peso.
Por mais que eu não queira decepcionar ninguém, preciso tomar providências.  

Cansada de esperar demais dos outros...
Nós temos toda a eternidade pra dormir, o que custa ficar meia hora acordado me dando atenção?
O que custa me ligar e contar como foi seu dia, como está sendo as novas amizades, dizer que sente saudade das antigas?

O que custa as pessoas darem um pouco mais de atenção para as outras?
Estou esperando esperar menos. 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Amor é isso, não é?

Amor é isso, não é?
Segurar as pontas, quando mal se aguenta.
Equilibrar-se por dois sobre uma corda só.
Não conseguir dormir porque o outro te preocupa mais do que qualquer coisa.
Amor é isso, não é?
Não abandonar, não desistir, ainda que o barco vire, que ponte caia, que o chão desabe.
Buscar aquilo que é melhor, mesmo não trazendo sorrisos imediatos.
Não ter o egoísmo e nem a malícia de permanecer só enquanto está tudo bem.
É aguentar tomar chuva, mesmo resfriado há tempos, enquanto não consegue empurrar o outro para debaixo de um teto.
É suportar mais do dizíamos capazes.
É perdoar o imperdoável.
Tentar carregar o dobro do nosso próprio peso.
É repetir um milhão de vezes a mesma coisa, se necessário, por mais que a paciência esteja esgotada. Remar sozinho quando o outro não tem forças.
Quando não oferece ajuda, quando está muito ocupado ou quando não tem tempo.
Amor é isso, não é?
muito além do desespero de uma paixão consumida em chama.
Muito mais que ter alguém para acompanhar nas festas, para ligar à noite, quando não se tem o que fazer; Muito mais que alguém para suprir carência com abraços e beijos.
É ter alguém sem possuir. É tornar-se, ao mesmo tempo, morada e local de fuga.
+É ser professor, psicólogo e companheiro de dança, tudo ao mesmo tempo.
É enfrentar o escuro em um lugar desconhecido, com a certeza de que haverá uma mão para amparar qualquer queda.
Deixar a zona de conforto porque o outro pede socorro.
Mergulhar em um rio profundo, nadar o quanto puder, engolir água e choro, aguentar firme, porque alguém lá no fundo te espera e conta com a sua coragem para carregá-lo até a margem.
Mergulhar, sem olhar o peso no próprio bolso, nesse rio de águas misteriosas.
Esse rio chamado amor.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Ela é você!

Ela é boba, ri de tudo e faz palhaçada.
Ela sabe ser seria, fria e grossa.
Ela é romântica, sentimental e se apega muito fácil.
Ela se apaixona por sorrisos, gosta de abraços apertados e de andar de mão dada.
Ela gosta de gente que a valoriza, gosta de se sentir importante e mais ainda quando é mimada.
Ela ama fazer carinho, ama receber carinho e que mexem no seu cabelo. 
Ela é uma garota difícil de lidar, está cada hora de um jeito e é péssima em demonstrar o que sente.
Ela se importa, tem medo de perder e sente muito ciúmes.
Ela é um doce de menina, mas não a machuque pois esta pode ficar amarga.