quarta-feira, 13 de novembro de 2013

José era um cara qualquer, com um nome qualquer.
Usava óculos e aparelho.
Tinha o cabelo meio que enrolado.
Não era nem alto, nem baixo.
Nem gordo, nem magro.
Tinha meias palavras e meias atitudes.
Era isso que o incomodava.
Sempre foi o meio termo.
Sempre usava a mesma camiseta vermelha,
Conversava com as mesmas pessoas,
Dos mesmos assuntos...
                                        Estava acomodado, porém infeliz...
                                       Quem nunca se sentiu assim?

terça-feira, 12 de novembro de 2013

A liberdade de sermos diferentes

Joaquim, negro sofrido,
32 anos, perdido.
Perdida a vida, perdida a esperança.
Só lhe restava lembrança,
Da família e da cobrança.

Por muito tempo questionou,
Viveu muitos anos a servir sem nunca ser servido.
Era tratado como algo jogado, sem compromisso.
O que lhe restava eram migalhas,
Mas mesmo assim,

Seu sorriso amarelo brilhava em meio a angústia,
Iluminava e o permitia sonhar que um dia seria livre.

Ahhhh liberdade, tão sonhada liberdade!
Aquela que Joaquim desejava,
De tanto acreditar tornou-se realidade.

Foi liberto, mas não livre.
Em meio à tanta mentira,
Joaquim sentiu ira,
E jurou nunca mais ser enganado,
Estava mesmo determinado.
Acreditava ser realmente livre,
Pois seu sorriso e seus sonhos,
Ninguém acorrentava mais.

Como fizeram com seus antepassados,
filhos paridos nessa terra indiferente.
Que muitas vezes não enxergaram a beleza
E a riqueza na diferença.

Ahhh diferença, tão temida diferença!
Porque ninguém gosta de ti?
A liberdade de sermos diferentes.
Porque incomoda tanta gente?

A liberdade da cor,
Da diferença e da igualdade.
Que se completam e encantam o olhar.
Assim como Joaquim, no brilho do luar...



Ana Flávia Alves Garcia

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Esperando esperar!

Faz tanto tempo que não escrevo aqui...
Falta tempo e sobram palavras...
Mas hoje, estou aqui, escrevendo de madrugada, porque não consigo me entender...
Meu coração está inquieto, indeciso, machucado...
Eu acho que nenhum ser humano deveria implorar por algum sentimento, sabe?
Não se implora por amor, não se implora por carinho, não se implora por atenção...
Sentimentos tão valiosos, às vezes, jogados no lixo.

As pessoas são hipócritas, eu me incluo nisso, porque querendo ou não esperamos algo das pessoas.
Esperamos elas sentirem o mesmo, esperamos elas darem valor...
Esse é um dos meus maiores problemas, ESPERAR.
Sempre espero das pessoas mais do que podem me dar, isso não é defeito delas, é eu sempre imaginar de um jeito e acontecer de outro.
É criar expectativas, é esperar que as pessoas vão fazer o mesmo que você faz por elas.
Comigo isso acontece praticamente em todos os meus relacionamentos.
Sempre espero um sorriso a mais, um carinho inesperado, uma mensagem dizendo estar com saudades...
Um presente fora de época, uma carta, algo que demonstre, poxa, pensei em ti...
Pode não parecer, mas me esforço para dar meu melhor, meu melhor nas amizades, no namoro, na família...
E sinto não ser retribuída do jeito que esperava...
Estou cansada de correr atrás das pessoas, de dizer primeiro "eu te amo", dizer o primeiro "estou com saudades" ou então "vamos sair"...
Sentimentos pra mim são como flores, se não houver tempo bom, elas murcham... Se não houver reciprocidade nos sentimentos, eles diminuem...
Chega uma hora que se deve dar um basta.
Não aquele tipo de birrinha "não vou mais correr atrás de você e blablabla", chega uma hora que a gente vai se afastando de verdade, pra ver quem realmente sente sua falta, quem realmente se importa.
E isso dói. Dói muito.
Hoje tive uma aula muito interessante de filosofia, sei que não é muito o tema aqui, mas me ajudou a refletir bastante... Estamos estudando Nietzsche, As três metamorfoses e os três devires do pensamento...
Ele usa o exemplo do Camelo, que representa o peso, que suporta muito, que se não houver questionamento ele passa a vida toda carregando peso.
O Camelo não quer decepcionar. Sempre faz o que mandam, sempre faz o seu dever.
A segunda metamorfose ele usa o exemplo do Leão que aparece para tomar providências, de tanto ter feito o meu dever, esqueci o que eu quero. O que eu quero?

O leão vem para decepcionar, frustrar, por isso a força, o rangido, porque quer deixar de carregar peso, deixar de carregar o que não é seu.
Achei isso incrível e associei ao meu dia-a-dia.
Estou cansada de ser camelo, estou cansada de me responsabilizar por algo que não preciso. Estou cansada de suportar peso.
Por mais que eu não queira decepcionar ninguém, preciso tomar providências.  

Cansada de esperar demais dos outros...
Nós temos toda a eternidade pra dormir, o que custa ficar meia hora acordado me dando atenção?
O que custa me ligar e contar como foi seu dia, como está sendo as novas amizades, dizer que sente saudade das antigas?

O que custa as pessoas darem um pouco mais de atenção para as outras?
Estou esperando esperar menos.