segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Coração fanfarr

Meu coração palpita.
Bate falta.
Bate palma.
Bate corda de menina pular.
Se bate vento, sai na janela
Ê coração mais fora de lugar…
Se você pisca, ele bate lata.
Abre avenida pra esperança passar.
Seja segunda ou quarta de cinzas
Até se for dia de trabalhar
O  corpo dança, a alma samba.
Cada um em uma direção.
Se você chega e senta na mesa
Não há em toda medicina uma só explicação
Bate bolo e bate os tapetes,
se você diz que vai me visitar
Rega todas as flores, põe café na mesa
Bate ansiedade, mas tem que esperar
Cê bate na porta, coração não é mais meu
Sai de dentro de mim pra te encontrar
Sorri fácil assim, nem precisa pedir
Coração de fanfarra, só quer te ver dançar

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

José era um cara qualquer, com um nome qualquer.
Usava óculos e aparelho.
Tinha o cabelo meio que enrolado.
Não era nem alto, nem baixo.
Nem gordo, nem magro.
Tinha meias palavras e meias atitudes.
Era isso que o incomodava.
Sempre foi o meio termo.
Sempre usava a mesma camiseta vermelha,
Conversava com as mesmas pessoas,
Dos mesmos assuntos...
                                        Estava acomodado, porém infeliz...
                                       Quem nunca se sentiu assim?

terça-feira, 12 de novembro de 2013

A liberdade de sermos diferentes

Joaquim, negro sofrido,
32 anos, perdido.
Perdida a vida, perdida a esperança.
Só lhe restava lembrança,
Da família e da cobrança.

Por muito tempo questionou,
Viveu muitos anos a servir sem nunca ser servido.
Era tratado como algo jogado, sem compromisso.
O que lhe restava eram migalhas,
Mas mesmo assim,

Seu sorriso amarelo brilhava em meio a angústia,
Iluminava e o permitia sonhar que um dia seria livre.

Ahhhh liberdade, tão sonhada liberdade!
Aquela que Joaquim desejava,
De tanto acreditar tornou-se realidade.

Foi liberto, mas não livre.
Em meio à tanta mentira,
Joaquim sentiu ira,
E jurou nunca mais ser enganado,
Estava mesmo determinado.
Acreditava ser realmente livre,
Pois seu sorriso e seus sonhos,
Ninguém acorrentava mais.

Como fizeram com seus antepassados,
filhos paridos nessa terra indiferente.
Que muitas vezes não enxergaram a beleza
E a riqueza na diferença.

Ahhh diferença, tão temida diferença!
Porque ninguém gosta de ti?
A liberdade de sermos diferentes.
Porque incomoda tanta gente?

A liberdade da cor,
Da diferença e da igualdade.
Que se completam e encantam o olhar.
Assim como Joaquim, no brilho do luar...



Ana Flávia Alves Garcia

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Esperando esperar!

Faz tanto tempo que não escrevo aqui...
Falta tempo e sobram palavras...
Mas hoje, estou aqui, escrevendo de madrugada, porque não consigo me entender...
Meu coração está inquieto, indeciso, machucado...
Eu acho que nenhum ser humano deveria implorar por algum sentimento, sabe?
Não se implora por amor, não se implora por carinho, não se implora por atenção...
Sentimentos tão valiosos, às vezes, jogados no lixo.

As pessoas são hipócritas, eu me incluo nisso, porque querendo ou não esperamos algo das pessoas.
Esperamos elas sentirem o mesmo, esperamos elas darem valor...
Esse é um dos meus maiores problemas, ESPERAR.
Sempre espero das pessoas mais do que podem me dar, isso não é defeito delas, é eu sempre imaginar de um jeito e acontecer de outro.
É criar expectativas, é esperar que as pessoas vão fazer o mesmo que você faz por elas.
Comigo isso acontece praticamente em todos os meus relacionamentos.
Sempre espero um sorriso a mais, um carinho inesperado, uma mensagem dizendo estar com saudades...
Um presente fora de época, uma carta, algo que demonstre, poxa, pensei em ti...
Pode não parecer, mas me esforço para dar meu melhor, meu melhor nas amizades, no namoro, na família...
E sinto não ser retribuída do jeito que esperava...
Estou cansada de correr atrás das pessoas, de dizer primeiro "eu te amo", dizer o primeiro "estou com saudades" ou então "vamos sair"...
Sentimentos pra mim são como flores, se não houver tempo bom, elas murcham... Se não houver reciprocidade nos sentimentos, eles diminuem...
Chega uma hora que se deve dar um basta.
Não aquele tipo de birrinha "não vou mais correr atrás de você e blablabla", chega uma hora que a gente vai se afastando de verdade, pra ver quem realmente sente sua falta, quem realmente se importa.
E isso dói. Dói muito.
Hoje tive uma aula muito interessante de filosofia, sei que não é muito o tema aqui, mas me ajudou a refletir bastante... Estamos estudando Nietzsche, As três metamorfoses e os três devires do pensamento...
Ele usa o exemplo do Camelo, que representa o peso, que suporta muito, que se não houver questionamento ele passa a vida toda carregando peso.
O Camelo não quer decepcionar. Sempre faz o que mandam, sempre faz o seu dever.
A segunda metamorfose ele usa o exemplo do Leão que aparece para tomar providências, de tanto ter feito o meu dever, esqueci o que eu quero. O que eu quero?

O leão vem para decepcionar, frustrar, por isso a força, o rangido, porque quer deixar de carregar peso, deixar de carregar o que não é seu.
Achei isso incrível e associei ao meu dia-a-dia.
Estou cansada de ser camelo, estou cansada de me responsabilizar por algo que não preciso. Estou cansada de suportar peso.
Por mais que eu não queira decepcionar ninguém, preciso tomar providências.  

Cansada de esperar demais dos outros...
Nós temos toda a eternidade pra dormir, o que custa ficar meia hora acordado me dando atenção?
O que custa me ligar e contar como foi seu dia, como está sendo as novas amizades, dizer que sente saudade das antigas?

O que custa as pessoas darem um pouco mais de atenção para as outras?
Estou esperando esperar menos. 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Amor é isso, não é?

Amor é isso, não é?
Segurar as pontas, quando mal se aguenta.
Equilibrar-se por dois sobre uma corda só.
Não conseguir dormir porque o outro te preocupa mais do que qualquer coisa.
Amor é isso, não é?
Não abandonar, não desistir, ainda que o barco vire, que ponte caia, que o chão desabe.
Buscar aquilo que é melhor, mesmo não trazendo sorrisos imediatos.
Não ter o egoísmo e nem a malícia de permanecer só enquanto está tudo bem.
É aguentar tomar chuva, mesmo resfriado há tempos, enquanto não consegue empurrar o outro para debaixo de um teto.
É suportar mais do dizíamos capazes.
É perdoar o imperdoável.
Tentar carregar o dobro do nosso próprio peso.
É repetir um milhão de vezes a mesma coisa, se necessário, por mais que a paciência esteja esgotada. Remar sozinho quando o outro não tem forças.
Quando não oferece ajuda, quando está muito ocupado ou quando não tem tempo.
Amor é isso, não é?
muito além do desespero de uma paixão consumida em chama.
Muito mais que ter alguém para acompanhar nas festas, para ligar à noite, quando não se tem o que fazer; Muito mais que alguém para suprir carência com abraços e beijos.
É ter alguém sem possuir. É tornar-se, ao mesmo tempo, morada e local de fuga.
+É ser professor, psicólogo e companheiro de dança, tudo ao mesmo tempo.
É enfrentar o escuro em um lugar desconhecido, com a certeza de que haverá uma mão para amparar qualquer queda.
Deixar a zona de conforto porque o outro pede socorro.
Mergulhar em um rio profundo, nadar o quanto puder, engolir água e choro, aguentar firme, porque alguém lá no fundo te espera e conta com a sua coragem para carregá-lo até a margem.
Mergulhar, sem olhar o peso no próprio bolso, nesse rio de águas misteriosas.
Esse rio chamado amor.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Ela é você!

Ela é boba, ri de tudo e faz palhaçada.
Ela sabe ser seria, fria e grossa.
Ela é romântica, sentimental e se apega muito fácil.
Ela se apaixona por sorrisos, gosta de abraços apertados e de andar de mão dada.
Ela gosta de gente que a valoriza, gosta de se sentir importante e mais ainda quando é mimada.
Ela ama fazer carinho, ama receber carinho e que mexem no seu cabelo. 
Ela é uma garota difícil de lidar, está cada hora de um jeito e é péssima em demonstrar o que sente.
Ela se importa, tem medo de perder e sente muito ciúmes.
Ela é um doce de menina, mas não a machuque pois esta pode ficar amarga.

sábado, 12 de janeiro de 2013


um
copo
meio
vazio
uma
vida
meio
cheia
cheia
de
espaço
vazio

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Lágrimas do céu


Cai a chuva
Dos meus olhos
E cai a chuva
Lá no céu

Há diferença
Entre elas?
Chove do mesmo jeito
E tem o mesmo defeito:

Ninguém consegue controlar.
A chuva dos olhos
E a chuva do céu.

A chuva
lava a rua
molha a casa
inunda a cidade
e não limpa
os pensamentos
que me invadem.

Chove lá fora
mas quem troveja
sou eu.

O país não é só o que passa na televisão


Gente morando na rua
Vivendo de miséria
Com as crianças todas nuas.
Politico que rouba do ladrão
Quer nosso perdão
Se perguntar se ele roubou,
Ainda diz que não.

Lugar onde o futebol
É mais importante que
Educação.
E a saúde está mais precária
Do que dizem na televisão.

Dão audiência para novela
Da rede globo,
Povo alienado
Tudo bobo.

Sujeira para todo canto
Da cidade
Os ricos com sua vaidade
Compra um iate
E não ajuda quem está precisando.

Gente mesquinha
Só sabe tomar conta da vizinha
E ainda a chama de negrinha.

Pai que mata filho
Filho que mata os pais
E nem pra cadeia vai.

Policial que devem trazer nossa proteção
Se tonar ladrão.

Acorda nação!

O país não é só o que passa na televisão.

Aí,
me bate
aquela saudade
da vida
como ela
era.
Ou como
não era
mas,
quem dera,
fosse.

Vegetando o ser: Maria


Maria aprendeu a chorar aos 50 anos
Diziam-lhe que chorar era errado.
Maria era bailarina
Hoje Maria baila entre um copo e outro.
Maria era poetiza
Conheceu a noite como ninguém
Ganhou com ela alguns vinténs.
Maria passou fome, lutou como homem.
Amou belos rapazes
E quem sabe belas moças?
Maria amou sem limites
Escreveu no papel
Seu amor pelo poeta que a levou ao céu.
Maria criou e educou muitos semelhantes
Coisa que Maria nunca teve antes.
Maria viveu a vida por um triz
Mas Maria foi feliz.
Hoje Maria carrega o mundo nas mãos, nas costas e no coração
Hoje Maria divide o pão com todos que lhe disseram “não”.