Em noites de inverno, sair ao mundo é coragem.
Pentear os cabelos é bobagem.
Agasalhar-se no outro e aproveitar a paisagem.
Que se faz ausente no mundo quente e rápido do verão
– que volta e meia acaba em goles tão gelados quanto esses dias de cão.
Pentear os cabelos é bobagem.
Agasalhar-se no outro e aproveitar a paisagem.
Que se faz ausente no mundo quente e rápido do verão
– que volta e meia acaba em goles tão gelados quanto esses dias de cão.
Em noites de inverno é preciso aquecer o coração.
Calçar as meias e botar os pés no chão.
Proteger os ouvidos das palavras pontiagudas
que se desprendem dessas gargantas inflamadas,
carregadas pelo vento que nos esmurra,
mas foge rápido, trombando as árvores em toda direção.
Calçar as meias e botar os pés no chão.
Proteger os ouvidos das palavras pontiagudas
que se desprendem dessas gargantas inflamadas,
carregadas pelo vento que nos esmurra,
mas foge rápido, trombando as árvores em toda direção.
Em noites de inverno, melhor se preparar...
A n d a r d e v a g a r.
E tentar amolecer os músculos do corpo antes que o baque nos congele
e a gente fique pra sempre assim, encolhido, miúdo
e só.
A n d a r d e v a g a r.
E tentar amolecer os músculos do corpo antes que o baque nos congele
e a gente fique pra sempre assim, encolhido, miúdo
e só.
Melhor seria, é bem verdade, seguir os conselhos da mãe e nunca mais sair do pijama. Agarrar um livro de fantasia ou ficção, se encerrar entre quatro paredes que vento nenhum possa alcançar, encontrar um alçapão, deitar em baixo da cama... Se afugentar.
Mas em noites de inverno
- e a gente não devia –
todo mundo exibe um pouco de pele e se arrisca,
(só pra ver no que é que dá.)
Abre o peito pras estrelas uma noite inteira.
Ou se esconde nos casacos enquanto disfarça e torce.
- e a gente não devia –
todo mundo exibe um pouco de pele e se arrisca,
(só pra ver no que é que dá.)
Abre o peito pras estrelas uma noite inteira.
Ou se esconde nos casacos enquanto disfarça e torce.
Por uma experiência forte,
talvez acordar de cama,
uma sensação de quase-morte.
Porque em noites de inverno, todo vento
(toque a garganta ou o coração)
é de ameaçar.
Mas toda prece que se roga
lá no fundo
é por uma chance de ressuscitar.
talvez acordar de cama,
uma sensação de quase-morte.
Porque em noites de inverno, todo vento
(toque a garganta ou o coração)
é de ameaçar.
Mas toda prece que se roga
lá no fundo
é por uma chance de ressuscitar.

